Criado em Rio das Ostras, o espetáculo “Um Instante” está de malas prontas para desembarcar no Mato Grosso. Ele integra o Festival Velha Joaa, em Primavera do Leste e será apresentado neste sábado (7), às 19h, no Tatro Municipal. Logo na sequência, a peça segue para Lisboa, em Portugal, onde irá participar da 3ª Mostra de Teatro do Brasil no Chapitô, no próximo dia 15, às 18h.
O espetáculo foi criado em 2024 por artistas, pesquisadores e educadores que atuam entre Rio das Ostras e Três Rios. “Uma obra sobre o tempo, sobre comunicação e sobre as relações humanas certamente encontra outras camadas quando apresentada para pessoas atravessadas por outros contextos, sotaques e formas de perceber o mundo. Queremos que essa circulação produza intercâmbio, relações profissionais, repertório e conhecimento que possam voltar para o território onde trabalhamos e alimentar outros processos. Não queremos que o interior seja apenas o lugar de onde uma obra consegue partir, mas um lugar para onde experiências e possibilidades também retornam”, afirma William Lopes, produtor executivo e ator.
“Um Instante” se passa em uma padaria onde nnão se fazem sonhos. Ali, um grupo de pessoas se encontra; algumas parecem reconhecer figuras do passado, enquanto outras correm atrás de um futuro que nunca chega. Entre situações aparentemente banais, um homem tenta obter uma simples informação e se vê atravessado por uma sinfonia de gestos, palavras, sons e silêncios.
O espetáculo irá então transformar a padaria em uma metáfora da rotina atual, marcada pela necessidade de trabalhar, produzir, buscar a felicidade e cumprir tarefas. “A partir desse cenário, o espetáculo constrói um universo em que o tempo se repete, acelera, desacelera e se transforma, permitindo que situações aparentemente comuns revelem novas camadas de significado”, conta Ritcheli Santana, criador e diretor do espetáculo.
A peça irá explorar diferentes maneiras como o tempo atravessa a experiênncia humana, aproximando momentos que nem sempre obedecem a uma ordem cronológica.
“Talvez a principal reflexão dessa obra esteja justamente na pergunta sobre o que cabe dentro de um instante. A peça é atravessada por um grande acontecimento, mas se interessa também por tudo aquilo que existe ao redor, antes, durante e depois dele: os encontros, as interrupções, as lembranças, as coincidências, aquilo que poderia ter acontecido e aquilo que muda porque duas trajetórias, por algum motivo, se cruzaram”, reflete Ritcheli.
Corpo, palavra, repetição, ritmo, som, silêncio e visualidade se articulam na construção da cena. Nesse conjunto, a Libras tem papel essencial na dramaturgia e na composição performativa do espetáculo, em diálogo com a língua falada e o gesto. “Essa linguagem não foi colocada sobre um espetáculo já pronto como uma camada posterior de tradução. Ela participa da própria construção da cena”, destaca Luan Vieira, idealizador do projeto.
“Um Instante” é resultado de uma pesquisa cênica de longa duração conduzida pelo diretor Ritcheli Santana, iniciada com a cena curta “Philip Glass Compra Pão” e posteriormente aprofundada em sua pesquisa acadêmica em Artes da Cena. O processo investiga movimento, luz, imagem e som como elementos igualmente importantes da cena e encontra, em “Um Instante”, uma composição aberta a diferentes leituras.
“Nos interessa mais criar um espaço em que cada pessoa possa ser atravessada pela obra a partir das próprias experiências. A imagem, o movimento, a música, a palavra e o silêncio podem produzir sentidos diferentes para cada pessoa”, explica Julya Avila, idealizadora do projeto.
A apresentação em Lisboa conta com o apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, por meio do Edital Mobilidades 2026 – Módulo I, pelo qual o projeto foi contemplado.