Macaé quer premiar empresas que valorizam idosos: selo “Amiga da Terceira Idade” pode virar exemplo nacional

Macaé quer premiar empresas que valorizam idosos: selo “Amiga da Terceira Idade” pode virar exemplo nacional

A Câmara Municipal de Macaé está analisando um projeto de lei que pode colocar o município na vanguarda da inclusão social e do respeito à longevidade. A proposta, de autoria da vereadora Dra. Mayara Rezende (CID), cria o selo “Empresa Amiga da Terceira Idade”, destinado a reconhecer instituições que desenvolvem ações em prol de pessoas com mais de 60 anos — seja por meio de campanhas, apoio a projetos sociais ou inclusão no mercado de trabalho.

O selo, com validade de dois anos e chancela oficial da Prefeitura de Macaé, poderá ser usado na divulgação de produtos e serviços das empresas certificadas, funcionando como uma espécie de “carimbo de responsabilidade social”. Além do prestígio, o reconhecimento público tende a valorizar marcas que promovem políticas de respeito e integração à terceira idade.

A proposta chega em um momento oportuno. O Brasil tem hoje mais de 34 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, segundo dados do IBGE, e esse número deve dobrar até 2050. Em Macaé, cidade que cresce impulsionada pelo setor energético, a pauta da longevidade começa a ganhar espaço também nas discussões sobre trabalho, lazer e acessibilidade.

Embora representem uma parcela cada vez mais ativa da população, os idosos ainda enfrentam grandes barreiras de reinserção profissional. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostram que menos de 25% dos brasileiros acima de 60 anos continuam no mercado de trabalho formal — um número que revela o potencial desperdiçado de uma geração experiente e produtiva.

Desafio e a oportunidade

O projeto de lei macaense busca reverter essa tendência ao incentivar empresas que criem vagas adaptadas, capacitação específica e ambientes inclusivos. A ideia é reconhecer as boas práticas que promovem tanto o bem-estar quanto a valorização da experiência profissional dessa faixa etária.

Além do impacto social, o selo também pode representar um diferencial competitivo. Estudos de consumo indicam que 75% dos brasileiros preferem marcas com compromisso social claro, e a imagem positiva de uma empresa amiga da terceira idade pode fortalecer seu vínculo com a comunidade e o público local.

A divulgação bienal da lista de empresas certificadas garantirá transparência e prestígio às participantes, transformando o selo em um símbolo de confiança. Se aprovada, a lei pode inspirar outros municípios do estado do Rio de Janeiro — e até do país — a seguir o exemplo.

Com o envelhecimento populacional se acelerando, políticas como essa deixam de ser apenas ações simbólicas e passam a ser estratégias essenciais para o desenvolvimento humano e econômico de cidades que pensam o futuro com respeito à experiência do passado.