Macaé pode estar prestes a dar um passo importante rumo à inclusão social e à valorização das mães que dedicam a vida ao cuidado de filhos com deficiência. O presidente do Legislativo, Alan Mansur (CID), apresentou um projeto que cria o Programa Municipal de Capacitação de Auxiliar de Creche e Escola para Mães Atípicas. A proposta busca oferecer cursos gratuitos de formação para que essas mulheres possam atuar profissionalmente nas creches e escolas da rede municipal.
A ideia é simples, mas poderosa: aproveitar a experiência de vida de quem já lida diariamente com desafios e cuidados especiais. As mães atípicas conhecem na prática o que é empatia, paciência e dedicação — qualidades fundamentais para o acolhimento humanizado de crianças com deficiência (PcDs). Ao mesmo tempo, o projeto abre portas para que essas mulheres conquistem autonomia financeira e novos horizontes profissionais.
De acordo com o texto da proposta, o programa tem quatro pilares: qualificação profissional, geração de renda, fortalecimento da inclusão escolar e valorização da experiência das mães. A execução dependerá de parcerias com instituições de ensino técnico, universidades e entidades do terceiro setor, que poderão oferecer os cursos de formação. A Prefeitura de Macaé será responsável pela regulamentação da lei em até 90 dias após sua aprovação.
Modelo que pode inspirar o Brasil inteiro
Embora a proposta seja municipal, ela toca em uma pauta nacional: a necessidade de políticas públicas que unam inclusão, educação e empregabilidade. Segundo dados do IBGE, mães de crianças com deficiência têm mais dificuldade de se inserir no mercado de trabalho formal, justamente por falta de oportunidades adaptadas à sua realidade. O programa de Macaé surge como uma solução concreta, que pode inspirar outras cidades a adotarem medidas semelhantes.
O projeto está atualmente na Comissão de Finanças e Orçamento, onde aguarda parecer para seguir ao plenário da Câmara, onde será discutido e votado pelos vereadores. A expectativa é de que o texto receba apoio amplo, já que atende a uma demanda urgente da rede de ensino e da sociedade civil.
Se aprovado, o projeto poderá fazer história em Macaé — e talvez servir de referência para outros municípios brasileiros que desejam transformar a dor e a experiência de muitas famílias em oportunidade, dignidade e inclusão. Afinal, quem melhor para cuidar de uma criança especial do que alguém que já conhece o amor e os desafios que isso exige todos os dias?