Sepe desafia Justiça, bloqueia rodovia em Rio das Ostras e transforma greve em ato político com presença do filho de Marcelino

Sepe desafia Justiça, bloqueia rodovia em Rio das Ostras e transforma greve em ato político com presença do filho de Marcelino

Mesmo após decisão judicial que declarou a greve ilegal e determinou o retorno imediato às aulas, integrantes do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe) foram às ruas de Rio das Ostras ontem, 23, e bloquearam a rodovia Amaral Peixoto, principal via da cidade causando um gigantesco engarrafamento e gerando indignação . O ato, que contou com a presença de militantes de partidos como PSOL, PSTU e PCO, e do filho do ex-prefeito, Marcelino (PV), foi marcado por bandeiras partidárias, palavras de ordem e longos congestionamentos nos dois sentidos da pista.

O movimento, segundo os organizadores, buscava chamar atenção para o pedido de reajuste salarial dos profissionais da educação. Já para muitos motoristas e moradores, a manifestação extrapolou o limite da reivindicação legítima e se transformou em uma ação de cunho político, causando transtornos e irritação entre quem ficou preso no trânsito.

A Prefeitura criticou o bloqueio, classificando a atitude como “irresponsável” diante da decisão judicial em vigor. Isso porque, nesta quinta-feira o desembargador Ricardo Couto de Castro, presidente do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), considerou que o Sepe descumpriu requisitos da Lei nº 7.783/89, como a comprovação de assembleia e a tentativa de negociação prévia com o município.

Na decisão, o magistrado ressaltou que a educação é um serviço essencial e que a paralisação compromete o direito constitucional à aprendizagem. Ele também fixou multa diária de R$ 500 mil ao sindicato e de R$ 5 mil a seus diretores em caso de descumprimento, além de autorizar o desconto dos dias parados.

Uma audiência de conciliação está marcada para o dia 30 de outubro. Nela, o Sepe deverá apresentar documentos que comprovem a legalidade da greve e tentar evitar novas penalidades. Até lá, o impasse segue no centro das discussões locais — agora dividido entre o campo jurídico, o político e o das ruas.